“O que mais me entristeceu nesses quatro anos foi essa realidade das pautas femininas dentro da Câmara Federal. Ainda encontramos muitos obstáculos por estarmos em minoria. A pauta feminina precisa de homens sensíveis, que entendam que precisamos aprovar projetos que modifiquem de fato a realidade das mulheres”, afirmou a deputada federal Yandra Moura em declaração dada durante entrevista ao Programa 103 Notícias, da Rádio 103 FM, concedida a Marcos Aurélio na manhã desta sexta-feira, 17, em Aracaju.
Ao fazer um balanço dos quase quatro anos à frente do mandato, Yandra recordou a eleição de 2022, quando foi eleita a primeira mulher deputada federal por Sergipe e a mais votada da história.
Segundo ela, o mandato soma 65 projetos de lei protocolados na Câmara dos Deputados, dos quais seis já foram aprovados. Entre eles está a lei que garante à mulher o direito de escolher livremente um acompanhante em consultas e exames médicos, criada após repercussão de um caso de violência obstétrica. A deputada também citou o projeto que assegura laudo permanente para pessoas com transtorno do espectro autista, ainda em tramitação no Senado, a licença para mulheres com endometriose e a pensão para pacientes com epidermólise bolhosa, doença rara e degenerativa da pele. Ela destacou ainda a compensação de municípios que tiveram perdas com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), medida que devolveu cerca de dez bilhões de reais aos cofres municipais em todo o país.

Yandra ocupa a vice-liderança do maior bloco partidário da Câmara dos Deputados e foi coordenadora do Observatório Nacional da Mulher na Política em seu primeiro ano de mandato, função que a levou a representar o Brasil em audiência na Organização das Nações Unidas (ONU), tratando de temas como combate à violência contra a mulher e ampliação da participação feminina em espaços de decisão. A deputada foi apontada como a única parlamentar nordestina na lista das mulheres com maior influência no Congresso Nacional.
Ao comentar os avanços e as dificuldades enfrentadas por mulheres no Legislativo, ela defendeu o fortalecimento do movimento internacional HeForShe (Eles por Elas). “A gente precisa aprovar projetos que modifiquem de fato a realidade, que deem espaço para mulheres em ambientes de trabalho, que a gente consiga salários iguais de forma efetiva, não só na lei, mas na prática”, afirmou.
A deputada também tratou da violência política de gênero, defendendo a união entre mulheres de diferentes campos políticos diante de casos recentes envolvendo lideranças femininas no país. “A gente tem que parar com essa história de que mulher não me representa. A mulher já tem uma carga maior, mesmo no cotidiano. A gente tem que se unir, independente de qualquer coisa”, afirmou.